Roteiro01a - ArteEducarJun15

Seguindo em frente a 16 anos!
Ir para o conteúdo
Meios de Comunicação > Audiovisual

Informática Educativa
Áudiovisual

ROTEIRO, TÉCNICAS NARRATIVAS E EFEITOS ESPECIAIS (VISUAIS E SONOROS)

ROTEIRO:

  • Quando um autor está criando o roteiro irá partir de uma idéia que poderá ter origem bem variada e inusitada, mas que lhe tomará a atenção e poderá surgir a partir da imaginação, de fatos ou acontecimentos (atual ou de época), de uma brincadeira, de um jogo qualquer, na conversa entre amigos, de uma fofoca, de uma música, filme, televisão, documentário, alimento, máquina, ficção etc.

  • Será necessário muita pesquisas, observações, muita conversa, entre outras situações, para que ele crie uma sinopse (descrição resumida da história e do roteiro, mas sem diálogo). É nela que o autor construirá todas as situações do seu roteiro. A sinopse é também o material escrito que será apresentado ao Produtor e Diretor para avaliação.

  • Sua criação tem por objetivo primeiro ser levada a terceiros, mas antes disso quando é produzida a sinopse e depois o argumento (resumo mais detalhado da história e do roteiro, constando informações importantes como: cenários, locações, efeitos especiais necessários etc. Mas ainda sem diálogo.).

  • Nesta etapa o autor já terá pensado no cenário (em estúdio ou fora dele), nas locações, nos personagens principais, na suas caracterizações e na técnica de gravação ou filmagem a ser empregada, como: o vídeo (VHS, S-VHS, Digital – doméstico ou profissional – U-Matic, se em HDTV, etc.), em película (de 8, 16, 32 ou 64 mm), entre outros elementos de pré-produção, produção e até pós-produção, até obter o Roteiro Final.

  • Junto com roteiro final será feito um outro roteiro destinado à equipe técnica e direção que é denominado de Decupagem e nela constará a posição, o movimento da câmera, o plano, iluminação, a ação e o áudio (do ambiente ou off).

  • No roteiro final, além do diálogo, constará orientação para os técnicos e direção, quanto aos cenários, local onde se passa a cena, como é feita a filmagem, posição de objetos cenográficos, a passagem (de pessoas, animais, veículos, etc.), a posição das personagens, seus movimentos, da iluminação, efeitos especiais (de produção e pós-produção) etc.

  • Também são descritas, de forma direta, indicações para os atores de como agirão durante a interpretação (filmagem ou gravação), geralmente estão entre parênteses, colocadas entre as partes do diálogo, por exemplo: alegre; triste; apreensivo; curioso; dormindo; acordando; bêbado; olhando uma paisagem pela janela; saindo de cena; entrando em cena; observando a chegada de “alguém”; assustado; com medo; abrindo a porta do carro; ligando o carro; fechando a porta; partindo etc.

  • Para o público em geral estas situações anteriormente descritas é impensável ou inimaginável. Ao assistir a um filme, o público em geral, não está preparado e até mesmo preocupado com os fatores técnicos, mas apenas com o lazer.

  • O autor sabe muito bem disso e se aproveita deste fato para prender a atenção do espectador ao roteiro e conseqüentemente ao filme. Para isso ele usa diversos recursos, como o ritmo, a história, que depois, em tese será melhorado pelo diretor quando das filmagens ou gravação.

  • Nesta situação ao espectador cabe analisar o produto final e pronto, como um filme, seriado, novela, programa de auditório etc. Para que o autor chegasse a este resultado teve que fazer muita pesquisa, paciência para modificar parte do texto ou ele todo quando solicitado pelo diretor, rever a linguagem, pesquisar a forma de linguagem quando se refere a uma época ou região etc.

  • Na exibição podemos analisar a integração entre partes do roteiro e do trabalho de filmagem, como: a maneira como foram feitas as tomadas, a continuidade entre elas, as cenas, o cenário e o texto ou situação vivida pelos personagens, vestimentas (caracterização quanto a classe social, compromisso, época, etc.), a maquiagem, do ritmo adotado, quanto aos cortes, montagens, movimentos de câmera, movimento das personagens, efeitos especiais (de áudio e/ou imagem) etc.

  • Ao analisarmos estas informações geradas pelo filme podemos entender melhor e conseqüentemente analisar, comparar/diferenciar, criticar e concluir de forma mais segura e objetiva, ou seja, com argumentação. Mas para que isso seja possível é importante que se assista ao filme pelo menos duas vezes.

TÉCNICAS NARRATIVAS

  • As técnicas narrativas, como o próprio nome identifica, estão se referindo à maneira que será narrado o filme, documentário, vídeo ou programa televisivo.

  • Para que seja bem utilizada (a técnica narrativa) e permita uma leitura mais aprimorada ou apenas possibilita o acompanhamento do trabalho sem uma reflexão mais aprofundada.

  • Quem determina como ocorrerá o desenvolvimento da produção são: o autor, produtor e diretor. Estes se orientarão na continuação, movimentos de câmeras, cortes, planos/enquadramentos, edição etc.

  • Ao público cabe analisar a maneira que foram trabalhadas as técnicas narrativas e com maior informação realizar uma leitura mais técnica, coerente, envolvendo emoção e a razão. Veja também: "Efeitos Especiais".

Continuidade:

  • A continuidade é a técnica que permite ao expectador assistir ao filme ou vídeo em uma seqüência lógica, variando apenas quanto ao ritmo, dando a sensação de que não há interrupção na narrativa provocada pelos cortes, planos, movimento de câmera, a edição etc. O objetivo é o de passar a idéias da realidade, localização e tempo.

  • Para que haja uma boa continuidade o diretor e toda a sua equipe terão que observar: a iluminação (seja ela artificial ou natural), principalmente se natural que muda com o passar do dia; a posição dos elementos que compõem o cenário; a posição da(s) personagem(ns) e da câmera; personagens, objetos e cenário bem enquadrados; movimento das personagens e da câmera; a posição da iluminação quando se muda o plano, ângulo ou ocorra um movimento da câmera; a iluminação em estúdio imitando uma externa etc.

  • Para que haja a continuidade é necessário a utilização de várias câmeras que permitam captar imagens em ângulos e planos diferentes.

  • Também faz parte da continuidade a mudança da expressão facial, a permanência de um penteado/maquiagem, de uma roupa, quando da mudança de plano, ângulo ou de cenário que exijam a mesma caracterização da personagem.

  • É muito comum observarmos, mesmo em filmes de grande sucesso comercial, erros de continuidade, como: quando uma personagem está dentro de uma casa com uma roupa, uma camiseta regata e quando a cena passa a ser externa, pois ele saiu da casa, ele esta vestindo uma camisa com bolso e um óculo nele.

  • A continuidade se dá também nos objetos que fazem parte do cenário, por exemplo: vasos com flores, que aparecem em uma cena composto de rosas brancas e vermelhas, mas quando das próximas filmagens ou gravações que ocorreram com dias de diferença, para que o público não perceba a diferença o continuísta (o profissional que cuida da continuidade) terá que fazer o mesmo arranjo, com flores nas mesmas posições, brancas e vermelhas, com tamanho aproximadamente igual e que estejam abertas ou fechadas como na primeira filmagem ou gravação.

  • Por fim, temos a continuidade feita na edição da produção que determinará a seqüência dos fatos e diálogos, uma mudança de cena que interrompa de forma inadequada um diálogo, por exemplo, prejudicará todo um enredo e roteiro.

Seqüência:

  • Quando nos referimos a uma seqüência não podemos nos restringir ao entendimento do significado da palavra apenas, pois nas  mídias, como cinema, televisão e vídeo ela tem significado mais amplo.

  • A produção de uma boa seqüência envolve: os cortes de câmera e ou edição, ângulo e plano das tomadas, movimento da câmera com mudança de plano e cortes (geralmente feito com mais de uma câmera) etc.

  • Um corte não pode acontecer aleatoriamente, mas sim de forma coerente por estar interrompendo uma tomada ou cena para exibir outra relacionada, seja ela no mesmo momento, época ou local, ou ainda, em momento diferente (como no caso de uma recordação), época ou local. A seqüência deverá passar ao público a sensação de realidade por estar em seqüência. Fator que permitirá ao espectador a noção espacial dos acontecimentos, como localização, horário, estação do ano, amanhecer, dia, entardecer ou noite.

  • A direção e o sentido de um movimento, da personagem ou da câmera, deverá ser preservada em tomadas diferentes para gerar a sensação de continuidade. Nesse caso quando a câmera é mudada de lado, da direita para a esquerda do objeto, animal, veículo ou pessoa, passará a sensação ao espectador que estes mudaram a direção  e o sentido, por exemplo: quando uma pessoa está indo para um determinado local e sai para a direita, todas as tomadas deverão respeitar este sentido, a não ser que ele vire uma esquina, entre numa casa, caverna, do contrário haverá dispersão na atenção do público.

  • A iluminação será fundamental, por exemplo: numa cena, em plano geral, mostrando uma floresta e um rio, pelo horário, as sombras das árvores cobrem a maior parte do rio, quando do corte para um plano mais fechado, como o plano médio, e que apresente uma personagem (pessoa ou animal) e o fundo (floresta e rio) a iluminação terá que ser a mesma. Mesmo que a filmagem ou gravação ocorra em datas diferentes. Um céu nublado em um dia e ensolarado em outro poderá atrapalhar uma filmagem ou gravação e não permitir uma boa seqüência, conseqüentemente uma boa continuidade.

  • Alguns cortes têm por objetivo encurtar o tempo, ou seja, não é necessário mostrar toda a trajetória de embarque em um avião, por exemplo, até a chegada ao acento, para que o público entenda a cena. Basta que seja exibida a entrada no avião, e depois, num corte em transição, a pessoa sentada na poltrona.

  • O contrário também é possível, por exemplo, quando se tem uma cena de suspense, a personagem precisa embarcar no trem das 15:00 h e está no meio de um congestionamento, cortes mostrando a cena do trem se aproximando da estação e da personagem vencendo o trânsito produzirá a sensação de desespero, tensão e prolongará o tempo da cena ou ação.

Composição:

  • Não adianta respeitar toda uma seqüência se não houver uma boa composição, que está relacionada a integração entre cenário, o ângulo das tomadas, foco, luz e sombra, cores, texturas, objetos e personagens em primeiro ou segundo plano, passagens entre cenas diferentes com recursos como fade (in ou out), mistura de imagem, explosão etc.

  • Não é fácil compor uma cena, pois tem que se pensar na sua continuidade e na seqüência. Como é uma integração é necessário que muitas pessoas acompanhem as filmagens ou gravação para que não se perca a continuidade. Não pense que termina neste ponto a preocupação com a composição, quando da pós-produção, na edição, por exemplo, será uma preocupação que exigirá muita atenção dos editores e da direção da obra. Qualquer coisa errada poderá levar a novas filmagens ou gravações e isso significa gasto adicional.

  • Na composição temos duas possibilidades quanto ao ponto de vista da câmera que é denominada de objetiva e subjetiva. A objetiva se refere à visão da personagem pela câmera, ou seja, a imagem da personagem é exibida na tela. Por sua vez, a subjetiva, se refere ao momento, tomada, que a câmera assume o olhar da personagem, ou seja, ela exibe a imagem como se a personagem estivesse vendo a cena, sem que ela aparece na tela.

Edição:

  • Para que possamos falar em edição é preciso saber que ela ocorre em duas etapas, primeiro a da imagem e depois do som. Na edição da imagem são selecionadas as tomadas que farão parte do filme, programa, novela, entre outras produções, compondo as cenas, as seqüências e a obra final.

  • Acabada esta fase é feita a edição dos sons, que ao contrário do que pensam as pessoas é a fase mais trabalhosa, pois é necessário inserir o som dos diálogos, do ambiente, de fundo (como música, sons de suspense, perigo, explosão, tiro, etc.). Hoje em dia esse trabalho conta com mesas de mixagem bastante modernas e informatizadas, permitindo a sincronização mais exata o possível entre os sons e a imagem.

  • O público será tomado por emoção quando este trabalho de pós-produção é bem feito e transmita a sensação de realidade, mesmo que a produção seja uma fantasia, ficção, etc.

  • Na edição são feitos cortes, inserções (quando se mantém o áudio original, mas muda-se a imagem, por exemplo: num diálogo a personagem relembra um acontecimento em outro momento), criados os efeitos especiais de ambiente, som, cor, transição etc., as transições entre cenas, a dublagem, narração...

EFEITOS ESPECIAIS
Não nos aprofundaremos nas técnicas de efeitos especiais, apenas serão citados alguns e qual a condição destes na narrativa.

Visuais:

  • Nos nossos dias, com a ajuda dos computadores, o cinema, o vídeo e a televisão ganharam força na produção de efeitos especiais cada vez mais realistas, o mesmo com os sonoros.

  • Estão enquadrados neste item todos efeitos que exijam uma preparação prévia e é de produção artificial. Estes efeitos vão desde uma brisa, iluminação, até a simulação de tempestades, enchentes, mar agitado, terremotos etc.

  • Muitos destes efeitos são produzidos a partir da câmera, por exemplo, balançar a câmera para simular um terremoto ou um mar agitado.

  • Outros são usados recursos especiais, como ventiladores gigantes, máquinas de fumaça, animatrônica, espelhos, cordas, gruas, cromakey (substituição de um fundo liso azul, verde ou magenta por uma imagem), máquina de neve etc.

  • Os efeitos visuais permitem que o espectador seja transportado para locais diversos e bem diferentes, criando sensações mais variadas possível. Vale destacar que poderão conduzir o expectador a um outro planeta, levar uma personagem num piscar de olhos de um ambiente para outro, criar a ilusão de mágica etc.

  • Não há como imaginar quando e como eles foram realizados, pois muitos deles são imperceptíveis ao público, neste caso será necessário conhecer detalhes da produção para saber quando e como ocorreram. Tamanho é o realismo gerados por eles.

  • Nunca podemos afirmar que em uma cena ou tomada não haja um efeito especial visual, por menor que seja, pois como já foi descrito, eles estão muitas vezes camuflados e em segundo plano, como se fossem figurantes.

  • Com toda certeza um efeito especial visual modifica a leitura da tomada ou cena por criar uma condição diferente da realidade, seja através da simulação ou da montagem. No entanto o efeito visual não se destacaria de forma tão intensa se não houvesse a integração com o áudio, ou melhor, com os efeitos sonoros.

Sonoros:

  • Como nos efeitos visuais, os sonoros irão interferir na forma de leitura do público, mas diferente dos visuais, os de áudio são quase que rotina em uma produção cinematográfica, de televisão ou vídeo.

  • Sempre haverá uma situação que os exija, como sons ambientes, os passos, o roçar do arreio sobre o pelo de um cavalo, o vento, som de água (chuva, torneira aberta, chuveiro, cachoeira, corredeira, rio, mar, etc.), de uma explosão, tiro, vulcão, de animais extintos ou não, pássaros, abrir a porta, bater a janela, datilografar, fotografar, aplausos, vaias, risos, briga, freada, aceleração de um carro, buzina, vento, fogo, pisar sobre o mato, madeira, terra etc.

  • Como foi visto não foram colocados em destaque nem um por cento das possibilidades de efeitos sonoros que compõem uma produção, mas para que eles surtam efeito será necessário um trabalho bem feito e bem acabado.

  • A maioria dos efeitos sonoros são realizados na pós-produção, pouquíssimos fazem parte da produção, portanto podemos concluir que o envolvimento com o realismo da cena passa também pelo som, seja ele um som de um instrumento ou arma da ficção ou real.

  • Estes efeitos geralmente são mentirosos, pois são produzidos por objetos e elementos os mais estranhos possível para gerá-los, por exemplo: quando uma pessoa caminha sobre o mato é possível usar papel celofane amassando-o de forma a imitar as passadas, assim teremos a sensação sonora do pisar sobre o mato, desde que sincronizado com as imagens. Outro exemplo: o som emitido por um monstro ou dinossauro poderá ser gerado pela mistura de sons de vários animais e através da mixagem chegar ao som emitido pelo animal que faz parte da produção.

  • Existem grandes possibilidades de efeitos sonoros e portanto infinitas formas de leitura, mas o mais importante, não podemos deixar de observá-los quando da análise, crítica e conclusão sobre uma obra audiovisual.

  • Durante a edição do áudio são realizadas: inserção, cortes, mixagem, montagem, sobreposição, combinação, controle da intensidade, dos tons e do espaço, envelhecimento, metalização ou robotização, levando em conta as condições: espacial, temporal, de época, do ambiente...

Voltar para o conteúdo