Leitura Ci-TV-Vd01a - ArteEducarJun15

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Leitura Midiática

Leitura Midiática

A LEITURA DE UM FILME, TV E VÍDEO
ATUALIZADO EM: 2008


• A maioria das pessoas vêem e não conseguem fazer a leitura de um filme, de um programa de televisão e de um vídeo (VHS, DVD, Flash, Gif animado etc. Não por ignorância, mas por não estarem preparadas para que a leitura ocorra.
Não é fácil fazer a leitura quando não se conhece a estrutura desses meios de comunicação, exige-se informação, atenção, sossego/tranqüilidade, calma e é necessário que seja assistido por pelo menos duas vezes. A leitura passa por algumas etapas, que se não forem cumpridas, o resultado será desastroso, pois não será feita realmente uma leitura. O espectador será um mero espectador.

I- O CINEMA

  • O cinema nos proporciona um tipo de leitura impossível aos demais sistemas de animação (TV, Vídeo, Gif animado, Flash etc.), ou seja, sistemas que geram a ilusão do movimento.

  • O primeiro ponto a ser destacado é o tamanho da tela, que já era grande em sua origem, mas naquela época a proporção de 1.33:1, em preto & branco e sem áudio original, pois geralmente havia um músico acompanhando as senas e as situações por elas apresentadas. Esse acompanhamento proporcionava o aumento das sensações de perigo, tristeza, alegria, medo etc.

  • Com a evolução do cinema a tela foi alargada, o cinemascope, chegou a cor (década de 1930) e o áudio (final da década de 1920). A tela do cinema passou a ter a proporção de 2.66.1 (início da década de 1950) permitindo uma visão mais ampla do ambiente e dos elemento em planos fechados. A técnica foi desenvolvida usando os recursos de lentes que faziam tomadas panorâmicas em 180º e compactando a imagem obtida por meio de lentes anamórficas. Na realidade a proporção que acabou sendo adotada foi a de 2.35:1, em razão do espaço necessário para a pista de áudio, principalmente quando surgiu o som etéreo.

  • A imagem durante a projeção era alargada também com o uso de lentes.

  • Mais tarde a tela ganha a proporção 16:9 que é denominada widescreen. O vídeo digital produz imagens na proporção 4:3 ou 16:9, portanto a imagem em cinemascope produzirá a faixa preta horizontal (a cima e abaixo da imagem).


II- TV & VÍDEO

  • A televisão quando surge no ano de 1935, na Alemanha, mas já vinha sendo pesquisada desde a década de 1920. O formato da tela adotado tinha a proporção 4:3. Formato que hoje em dia está sendo substituído pela proporção 16:9 (widescreen ou tela ampla).

  • Na década de 1960 quando surge o vídeo em fita magnética e a TV a cor a proporção é mantida.

  • Mais tarde, com o advento do DVD os filmes e vídeos ganham tela widescreen e o aparelho de televisão fica mais largo. Os aparelhos com tela de LCD (Liquid Cristal Display ou Tela de Cristal Líquido) ou de plasma estão se popularizando com esse formato de tela.

  • Mesmo na proporção de 16:9 a leitura de um filme ou vídeo na televisão é muito diferente da do cinema, por exemplo: um plano geral no cinema é mais amplo que o obtido na televisão.

  • A TV digital chega para melhorar a qualidade da imagem e do som. Quando a televisão surgiu a imagem era gerada por 30 linhas horizontais. Na década de 1930/40 o número de linhas horizontais passam a 240. Uma melhora sensível.

  • Com o advento da TV a cor o número de linhas é aumentado para 480 e 525, mas nos domicílios chegava em torno de 240 até 340 LRH (linhas de resolução horizontal). O sinal analógico é perdido durante seu trajeto entre a torre de transmissão e a antena do usuário ou telespectador por enfraquecer e pelas barreiras físicas como edificações, morros montanhas e serras.

  • O vídeo em VHS possui uma resolução que varia entre 240 e 288 LRH.

  • Os DVDs possuem resolução de 640 x 480 até 720 x 480 ou 500 LRH.

  • Outro fator que interfere na leitura entre um filme no cinema e um na televisão ou vídeo, mesmo o obtido em um projetor multimídia de alta resolução, é o detalhe. A imagem do cinema revela qualquer ruído presente, como as estrias nas pernas de uma mulher, mesmo em planos mais abertos. Na TV com um pouco de maquiagem esse inconveniente é mascarado. Com o vídeo digital as pequenas rugas na face poderá ser denunciada, pois a resolução dobro em qualidade.

  • O vídeo, seja em fita, virtual (Flash, por exemplo) ou DVD, tem uma vantagem em relação ao cinema e a televisão que é a de possibilitar a pausa ou congelar a cena, avanço e retrocesso em câmera lenta ou quadro-a-quadro, zoom in (aproximação)...


III- PARA ENTENDER

  • Nós, seres humanos, temos potenciais perceptivos e que estão associados aos sentidos (visão, olfato, audição, tato e paladar) que permitem sentirmos sensações que possibilitam entender, nos proteger, analisar, descrever, narrar, alimentar, segurar, movimentar etc. As percepções, potenciais e capacidade nos permitem fazer o que a maioria dos animais não conseguem, que é a capacidade de modificar o meio, teorizar e analisar criticamente. Com todos esses atributos a leitura dos meios de comunicação, ou seja, a leitura midiática é uma conseqüência natural. Certo? Errado! O processo de leitura midiática precisa ser construído, não é nato. A experimentação e o ato de vivenciar é que conduzirão a esta construção do saber e capacidade.

  • IV- A LEITURA

  • Para a leitura do cinema, TV e vídeo é necessário que sejam ativados nos nossos dias pelo menos dois sentidos, a visão e audição.

  • O maior problema das pessoas é que elas vêem e ou ouvem, mas não percebem, não interpretam e não decodificam.

  • É muito comum isso acontecer no dia-a-dia, numa caminhada, num passeio, por exemplo, ou em outra situação qualquer as pessoas vêem e ouvem tudo que está a sua volta, mas poucos percebem, a não ser que se preparem para isso. Mas ai surge um outro problema, o que perceber e como fazê-lo?

  • Para que realmente seja possível perceber e interpretar é preciso seguir algumas etapas, todas importantes e necessárias para a leitura. Essas etapas irão variar de acordo com o objeto de leitura, por isso é necessária a informação. Sem ela, não existe a possibilidade de uma leitura completa, por não possibilitar a interpretação e a decodificação daquilo que está implícito e não apenas o explícito.

  • Ocorre que quando uma pessoa ao observar uma edificação antiga, por exemplo, sem nenhuma informação básica, não será possível entender o porque das formas, do material utilizado, a razão das paredes serem grossas, a época que foi construída, quem a construiu etc. Estes fatores interferem na leitura uma vez que não permitem a análise, a comparação e a diferenciação, a crítica e a conclusão.

  • Resta a esse observador fazer suposições, neste caso a maioria das pessoas tiram uma conclusão...


• Situação 1:
— Gostei!
ou
— Não gostei!

• Situação 2:
— É bonito!
ou
— É feio!

• Situação 3:
— É interessante!
ou
— É desinteressante!

• Situação 4:
— É agradável!
ou
— É desagradável!


  • Em nenhuma das situações exemplificadas acima houve uma análise mais séria e conclusiva. A falta de informação não permite concluir.

  • Isto ocorre muito na escola, após a exibição de um filme ou vídeo, seja na televisão ou telão, fatores que não impedem um trabalho de leitura, pois alguém poderia afirmar que não é a mesma coisa que assistir no cinema e justificar que o trabalho fica prejudicado.

  • Como já foi afirmado não é a mesma coisa assistir um filme no cinema ou o mesmo na televisão, mas isso não impede a leitura midiática.

  • Na maioria das vezes ao terminar a exibição nenhum trabalho é desencadeado e quando um aluno é indagado para analisar o filme assistido geralmente sua resposta é uma das afirmações acima.

  • Por não saber fazer uma análise mais profunda, ou seja, ele não sabe identificar o que perceber no filme e muito menos como fazê-lo. Motivo! Não foi preparado para tal.

  • Por este motivo é que insistimos que há a necessidade de um bom preparo e boa organização antes da atividade. A leitura precisa ocorrer em todos os níveis.


IV CONCLUSÃO

  • Esta análise serve para o cinema, televisão e vídeo, mas algumas diferenças são percebidas e devem ser bem trabalhadas, entre elas o tamanho da tela, o seu formato, a qualidade da imagem e do som, a maneira como foi produzido, os planos, as despesas, número de atores, atrizes, figurantes etc.

  • O ato de interpretar é ativado pelo potencial perceptivo e quando eu percebo alguma coisa me é possível analisar, comparar e/ou diferenciar, criticar e concluir.

  • Estas fases unidas propiciam a leitura e neste caso foi desenvolvida uma relação comunicacional à distância ou indireta. Não há como pensar em leitura se não houver uma relação comunicacional.

  • Neste contexto é importante o aguçamento dos sentimentos e da sensibilidade. Numa situação de estresse não há leitura e portanto não serão acionados, por completo, os potenciais perceptivos.

  • Neste primeiro momento vamos nos restringir a algumas das condições e normas (regras) de produção e leitura do cinema, TV e vídeo, não apenas como forma de simplificar a leitura e o entendimento, mas pela possibilidade da reflexão e o aprofundamento buscado em pesquisas.

  • A visão nos permite ver e não perceber, o mesmo acontece com a audição.

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