CONSTRUIR O CONHECIMENTO - ArteEducarJun15

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Por: Vivaldo Armelin Júnior - 2006

  • Muitas vezes quando o professor ou professora ouvem falar em projeto é percebido que há um temor ou desdenho no ar. É muito comum ouvir a frase “Isso eu já faço”. Não se trata de falta de vontade de inovar ou mudar, incapacidade ou falta de interesse... Na realidade essa reação ocorre por falta de preparo e discussão, não por culpa do profissional, mas das políticas desastrosas de nossos governantes, que implantam novos projetos sem antes discutir, debater, formar, além de não dar condições materiais e pedagógicas para trabalhar. Literalmente as propostas vindas dos nossos governantes, na maioria das vezes - 99%, são jogadas sobre a cabeça do professor e caso não dê certo a culpa é deste último.

  • Em qualquer empresa o funcionário é preparado para desenvolver a sua função, na educação tudo é jogado. Baseado nessa situação cabe uma pergunta: Como se pode pensar em projeto quando não há formação para desenvolvê-los? Para respondê-la é necessário primeiro entender o que é um projeto, como ele é elaborado, utilizado em sala de aula e depois desenvolvido.

  • Um bom projeto visa em primeiro lugar a construção do conhecimento de todos envolvidos, não apenas a memorização.

  • Vygotsky nos ofereceu grandes informações sobre o desenvolvimento de um projeto quando em seus estudos nos apresenta a importância de um mediador.

  • O mediador tem a função de observar, colaborar, orientar (não pode ser o fornecedor das soluções ou respostas), problematizador, participar e também um dos que estará construindo o conhecimento.

  • O professor é esse mediador, no entanto, para o desenvolvimento de um bom projeto o aluno, em alguns momentos, poderá assumir o papel de mediador. É observado que o aluno em sala de aula é um mero cumpridor de tarefas, que não pode opinar, questionar, sempre tem que concordar e nunca discordar.

  • O projeto tem a função de quebrar essa hierarquia do conhecimento. É óbvio que o(s) professor(es) será(ão) o(s) maior(es) mediador(es), pois cabe a ele(s) o papel da coordenação do projeto.

  • Celso Antunes em seu livro “O que é projeto 12 dias/12 minutos?” segue esse caminho. Os trabalhos de Emília Ferrero também apontam para um professor mediador.

  • Um professor mediador tem consciência de que não existem pessoas ignorantes ou dominadoras do conhecimento e sim que todos os seres humanos não tem a capacidade de um super gênio, uma vez que não há como dominar todo o conhecimento e informação produzida, mas também cada ser tem o domínio de um determinado conhecimento e de uma determinada informação.


  • A experiência vivencial em seu meio, na família, na comunidade e oriunda dos meios de comunicação é muito intensa e inovadora nos nossos dias. Por essa razão, quando do desenvolvimento de um projeto o professor precisa estar preparado para a necessidade de novas pesquisas e conseqüentemente de ter humildade para aceitar a possibilidade do aluno apresentar novas informações ou conhecimentos.

  • Mediar é participar, integrar, discutir, problematizar, construir e interagir. Nessa condição um projeto nunca poderá ser unidisciplinar, no mínimo deve haver a inter-relação de conteúdos e se possível a interdisciplinaridade.

  • O professor mediador criará condições para que o aluno possa pesquisar, fazer leitura, enriquecer o vocabulário, produzir textos, contemplar a comunicação, a troca de experiência e vivência, favorecer as habilidades motoras integradas às percepções, proporcionar a quantificação, qualificação, desenvolver croquis, roteiros, esboços...

  • Por fim, professor - o mediador, abrirá espaços para o registro, seja ele: gráfico (desenho, escrita, pintura...), fotográfico (convencional ou digital), em áudio, vídeo etc.

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