BRINQUEDO NA ESCOLA- I - ArteEducarJun15

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REESCRITO 2008
Por: Vivaldo Armelin Júnior - 2006 - Parte I

• A criança em sua casa brinca o tempo todo, seja no quintal, na varanda, em seu quarto, na sala vendo ou não televisão, na rua com os amigos etc. Este dinamismo voltado à distração nada mais é uma forma de preparo para a vida e aprendizado por meio da experimentação.
O ato de brincar produz resultados importantes na formação deste ser humano em crescimento. O ato de experienciar, na prática, ao apropriar-se, por meio da imitação do mundo adulto, seja com o uso de brinquedos, jogos, brincadeiras etc.
• Médicos, psicólogos, terapeutas, entre outros especialistas recomendam que a criança brinque muito e que possam efetivamente participar de todas as fases do crescimento e da infância.
• O problema é que na escola a brincadeira chega como forma de lazer, algo sem importância e que não pode ser aproveitada por não ser parte do mundo adulto.
No entanto, os brinquedos, brincadeiras e jogos são excelentes fontes para a construção do conhecimento, desde a alfabetização até o ensino médio, é óbvio que em nível e grau diferenciado.
• Todos os brinquedos poderiam ser objeto de estudo por parte do aluno e do professor em qualquer uma das fases do ensino fundamental – não importando o ano, é adequado para um trabalho com alunos do primeiro ao oitavo ano.
• O aluno poderia em sala de aula produzir o seu próprio brinquedo usando sucata, madeira, metal, massa de modelar, porcelana fria ou biscuit, papel, papelão, papel machê etc. Uma oportunidade para alfabetizar e trabalhar fenômenos científicos em Ciências, Geografia, Matemática, História, Língua Nacional e Estrangeira, a Escrita, Artes etc.
• É na brincadeira que o ser humano desenvolve a capacidade de compartilhar, dividir, integrar e interagir com o seu meio e semelhantes.
• Na brincadeira também é notado um fenômeno muito importante, o da preservação da cultura, da história e da identidade de uma comunidade e consequentemente até mesmo de uma nação. Não podemos nos esquecer que uma brincadeira popular mantém vivo o folclore e a diversidade cultural.
• Quando uma criança brinca está involuntariamente melhorando o seu relacionamento e convívio social.
• Então, qual é o motivo de sua não utilização?
• Porquê a escola que tanto prega a formação de uma sociedade mais igualitária não faz uso das brincadeiras, dos jogos e dos brinquedos para a construção do conhecimento?
• Uma criança é livre para brincar e também sonhar, momento oportuno para um afloramento da imaginação e da criação, por exemplo:
"Quando ela, criança, produz o seu brinquedo, com aqueles blocos que se encaixam uns aos outros está aprendendo, no entanto um conhecimento limitado, pois ela não consegue explicar os fenômenos que envolvem aquele brinquedo — as partes mecânicas já vem prontas — porém muito bem elaborado e criativo. A ela sobra a possibilidade de criar novas formas e soluções".
• O mesmo acontece quando ela constrói seu próprio brinquedo, pois irá encontrar dificuldades, mas com persistência e motivação irá buscar soluções sejam elas simples, complexas, adequadas ou não, ideais ou não, ou ainda, funcionais ou não.
• A criança, por exemplo, não consegue explicar como a pipa ou papagaio que construiu, tão cuidadosamente, voa e qual é o motivo da necessidade de se colocar o rabo ou cauda.
• Ela testa se a sua pipa está equilibrada segurando nas duas extremidades do esqueleto de bambu, madeira e mais recentemente de barras plásticas.
• Quando começa a “empinar” seu brinquedo a criança testa a estabilidade, a tensão que sobre a linha, a resistência ao vento, seu peso... Tudo de maneira empírica e a base de suposições.
• Caso algo saia errado alterará o comprimento da cauda, aumentará ou diminuirá a tenção dos cabrestos presos ao esqueleto e até mesmo aumentando a resistência do corpo que é de papel com a cola de linhas em volta do corpo.
• Mais uma vez surge uma pergunta:
— O que leva a escola não aproveitar os brinquedos para favorecer a  construção do conhecimento quando existem tantas indagações e questionamentos por parte do aluno?
• A brincadeira favorecerá com toda certeza a alfabetização, a escrita, a leitura... Este é o momento mais propício para que o aluno seja motivado para a busca do conhecimento e não simplesmente para o ato da brincadeira.
• Os alunos de séries/anos mais "avançados" poderão estudar a História, Ciências, Matemática, Geografia, Arte, Língua Nacional ou Estrangeira e o melhor, poderá fazer uso da tecnologia para produzir seus brinquedos, brincadeiras e jogos.
• O homem brinca desde o seu surgimento neste planeta e como todo animal é na brincadeira que ele se prepara para a vida.
• Quando um menino brinca com seu carrinho, por exemplo, ele está reproduzindo o dia a dia de sua comunidade, as regras e normas de conduta e de socialização, e quando necessário, durante a brincadeira quantifica, explora o seu meio, cria regras, identifica distâncias, reproduz o meio e até propõe teorias etc.
• Durante a brincadeira a fantasia é a responsável pelo desenvolvimento da imaginação, quando viaja para muito longe durante as suas brincadeiras. A escola aproveita muito pouco deste momento.
• As crianças em geral brincam de supermercado e fazem compra escolhendo da mesma maneira como fazem seus pais ou responsáveis. Fuçam nas prateleiras do "mercado ou supermercado" na busca do produto desejado ou do melhor que tem melhor qualidade.
• Com a imitação vem a seleção, a comparação, a quantificação, a descrição, a função e a funcionalidade, o desejo e o sonho.
• Ainda, imitando, verificam a validade do produto, o tamanho e o estado de conservação. Tudo isso numa brincadeira de compra.
• As bonecas(os) são produzidas desde a Pré-história e segundo alguns historiadores as crianças as modelavam com barro ou madeira para brincar e, mais tarde, passaram a fazer parte de rituais. Outros afirmam exatamente o contrário.
• Com toda esta história ainda são desprezados na sala de aula! Será que não está na hora de mudar esta situação?
• Contando com os brinquedos, jogos e brincadeiras, o professor terá a seus lado um aliado fortíssimo, motivador e que favorecerão a construção do conhecimento ou se preferir o aprendizado.
• Para finalizar, as brincadeiras, jogos e brinquedos são excepcionais ferramentas para a evolução da:
coordenação motora; das percepções - visual, auditiva, tátil e olfativa; das capacidades de - observação, análise, comparação, diferenciação, associação, conclusão, crítica e construção.
Todos estes potenciais e capacidades humanas, quando bem trabalhados em sala de aula serão não apenas necessários, mas um dos responsáveis por favorecer a conquista do saber.


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